terça-feira, 24 de junho de 2008

Weird Things..

Começou a fumar umas coisas estranhas. Não sabia muito bem porquê. Dividia comigo a casa, era uma rapariga inteligente, empenhada. Mas triste. Um ano, um ano antes o pai tinha morrido. Um acidente de viação tinha-o deixado em coma. Bom homem. Um excelente pai, de certo! Não consigo encontrar uma razão para o novo comportamento dela. Se íamos juntos a festas era a primeira a querer voltar a casa. Deixámos de sair juntos. Raramente nos encontrávamos em casa, tinha sempre a porta do quarto trancada, não almoçávamos juntos, não partilhávamos segredos, nem ao telefone falávamos.
Era sexta à noite e fui com ele sair. Discoteca? Sim. Como de costume ele encostava-se a uma canto e não saía até perder as forças para resistir. Puxei-o para o meio da pista e de repente vi-a! Junto ao bar, numa troca estranho de algo que entra do bolso de alguém e uma nota que passa para a mão dela. Tornou-se mais sério do que pensava. Já não era só consumo. Percebo agora o porquê daquela porta fechada. Não queria que fosse assim mas na manhã seguinte esperei que acordasse. Íamos ter a conversa que há muito esperava. Disse-lhe tudo. O que pensei, o que planeei, o que não quis, o que me veio à ideia, o que a fez chorar e pedir desculpa. Não era suficiente para apagar mais de três meses de uma mentira e de um comportamento inaceitável. Ela era das poucas pessoas que podia perceber a minha aversão a essas coisas.



A nossa conversa foi interrompida. A campainha. Um forte bater na porta.



Era a polícia. Uma autorização de busca por substâncias ilegais. Admitiu. Não fui implicado. Foi detida. No dia antes de tomarem uma decisão sobre os acordos do advogado com o Ministério Público suicidou-se.



Chorei, chorei como nunca tinha chorado antes! Não consegui ir ao velório. Não queria. Queria mantê-la viva. Para mim!








3 comentários:

Isabel disse...

Ainda por cima a gaja não sabe cortar os pulsos, Felipe!

Martinha disse...

Este tipo de coisas marcam-nos, sobretudo quando acontecem debaixo dos nossos olhos...
Parece-me que essa rapariga não teve nunca dois dedos de testa, desde que começou a fumar e a vender essas coisas estranhas.

Beijinho Hugo *

Sandra Daniela disse...

Hugo, passei para te agradecer o teu comentário...Já alguma vez te dizeram que eras um querido? ups... milhentas vezes... opaaa ... deixa lá é mais uma... :-)