sexta-feira, 6 de março de 2009

Outras Vidas em Rosa Choque - Os Azeitonas











Os Azeitonas.. Nascidos em Ibiza no Verão de 2002 Os Azeitonas afirmam ser a “primeira boysband de garagem”, mais do que isso são a única boysband com um elemento feminino na formação.

Marlon, Nena, Miguel AJ e Salsa. Os quatros elementos da banda que partilham, normalmente, o palco com outros músicos da nossa praça, como sejam os Horn Flakes.


Vidas em Rosa Choque (VeRC) – Conversemos então com Miguel Aj d’Os Azeitonas. Contem-nos o que é isto de serem uma “boysband plus a girl”?

AJ – Boysband de garagem, porque ao inicio eramos 4 vocalistas e faziamos umas coreografias parvas, em jeito de boysband. De garagem, porque aliada à estetica de uma pseudo-boysband, estava presente (e ainda está) a ética de uma banda de garagem. Atrás, nos coros, estavam a nena e a babi, as duas azeitonettes. Com a saída de dois vocalistas e da babi, a nena saltou para o plano dianteiro, e passamos a ser a primeira boysband do mundo com um membro feminino. uma membra, neste caso.


VeRC – Três anos depois da formação inicial sai o vosso primeiro álbum, “Um Tanto ou Quanto Atarantado”. Como foi lançar um disco? Estavam à espera de um dia partilharem palcos com o Rui Veloso, José Cid, Armando Gama, Adiafa, Trabalhadores do Comércio, Táxi e muitos outros?

AJ – Não estavamos à espera de gravar nenhum disco. Formámos a banda por gozo, e demos 2 ou 3 concertos em bares de amigos, para amigos. No fim desse ciclo resolvemos gravar uma maquete na Escola Superior de música onde o Salsa andava a estudar, só para ficar como lembrança, e resolvemos dar por encerrado o projecto. Só que essa maquete andava perigosamente a saltar de mão em mão, e acabou nas mãos erradas: as do Rui Veloso, que acabara de criar uma editora. Foi dele a culpa de ter criado este monstro. Dali até estarmos ombro a ombro com o José Cid num palco foi um tirinho. Isso de partilhar palco com esse pessoal parte da nossa lata, principalmente do salsa, que não se ensaiou nada para descobrir os telemoveis do pessoal e ligar na maior das latas. Todos alinharam, sem excepção. O pessoal alinha, por regra. Às vezes, quem convida, é que faz cerimonia, mas ficamos a saber que é escusado estar com timidez, nesse aspecto. Convidar não ofende...



VeRC – Sai entretanto um livro que é um CD (ou será um CD que é um livro e uma rádio?) e entretanto preparam um álbum que não é um CD. Esta vossa atitude é a vossa irreverência perante a vida e o Mundo?

AJ – Não tem nada de irreverente. Tem a ver com romper com certos preconceitos instituidos. Parte de olhar em volta e ver que o rei vai nu. Se chegasse aqui um extraterrestre, concerteza que se iria espantar ao ver que em Portugal, 90% das bandas ainda editam essa coisa do CD. Não fazemos estas coisas com o objectivo de escandalizar. Os nossos interesses são sempre egoistas: é a pensar em nós, e no que melhor nos convém. Se no fim resulta como uma coisa polémica ou irreverente, é porque se calhar sai fora dos esquemas normais, quando estas coisas é que deviam ser a norma, e um dia não muito distante hão de ser.



VeRC – “Sílvia Alberto” é um tema dedicado à apresentadora. Uma personalidade actual. Mas “Lisboa Não é Hollywood” fala-nos de Cândida Branca Flor e “Cantigas de Amor” é uma homenagem a Tony de Matos. A vossa música é, também, forma de trazer a todos os que ouvem Os Azeitonas nomes que muitos já esqueceram e outros nem sequer conhecem?

AJ – "Sílvia Alberto" é uma daquelas músicas que me andava na cabeça sem letra, ou com uns sons cacofónicos meio ingelsados. Quase todas as músicas que eu faço começam assim: uma melodia num inglês sem palavras. Partiu da necessidade, imposta a mim próprio, de meter à força uma letra em Portugês, e calhar de estar a dar o dança comigo nesse preciso momento. O "Lisboa não é hollywood" foi talvez a música mais rápida que eu fiz na vida, porque saltou a fase do processo mais complicada: a de ter uma ideia. Foi o Marlon, no messenger, que sugeriu fazermos uma musica com o nome dum episodio do Duarte e Companhia que ele tinha acabado de ver "Lisboa não é Hollywood". É um nome bem fixe. Ele sugeriu fazer-se uma homenagem à Florbela Queiroz. ´Fiz a letra e a música logo duma assentada, e nem dei tempo de se cumprir a sugestão do Marlon: "fazer-MOS" uma musica. A musica começava "Florbela chega de capeline..." e por aí fora, até que a protagonista morria no fim. Ele chamou-me a atenção para o facto de eu ter confundido a Flobela Queiroz com a Candida Branca Flor, mas ficou mais facil mudar a primeira frase para "Olha a Cândida de capeline", do que estar-lhe a salvar a vida no fim. São coisas do destino. A Cantigas de Amor veio duma fase em que eu andava a ouvir muito Tony de Matos, e às vezes é mais fácil fazer musicas assim, a imaginar outra pessoa a cantar. Meti-me na pele do Tony, salvo seja, e facilitou. Saiu bem, essa é talvez a música que eu mais gosto, das que fiz até hoje. A primeira frase é uma citação do "Vendaval", cantada pelo próprio. "O vendaval passou, nada mais resta..." Mas respondendo à pergunta, estas letras vão sendo feitas sem grande fim à vista, não tem nenhum fim pedagógico.



VeRC – Lê-se no vosso blog que “o homem em quem a emoção domina a inteligência recua a feição do seu ser a um estádio da evolução anterior, em que as faculdades da inibição dormiam ainda no embrião da mente.” Podemos dizer que os Az pretendem ajudar-nos a manter esse equilíbrio ente emoção e inteligência? É dai que surgem a ironia e sarcasmo tão característicos da banda – nas letras, em mails, nos posts no vosso site,…?

AJ – Essa frase é ipsis verbis roubada do Bernardo Soares, no Livro do Desassossego. Tem a ver com gostar-se de algo sem o filtro da inteligência. Como se se fosse uma criança, sem pensar. Gostar ou não-gostar apenas e só baseado nas primeiras impressões da sensibilidade. Num adulto não é possível, a não ser que se faça esse exercício de ir mais além, recuando. Mas nós não pretendemos ajudar as pessoas que nos ouvem a fazer coisa nenhuma, é isso que a frase diz. Se gostarem, gostem. Se não gostarem não gostem. Mas seja como for, que venha do próprio. Naõ se faça da musica nenhuma militância. Não se leve demasiado a sério, como nós não levamos. A auto-ironia vem disto.



VeRC – RFM, MTV, grande parte dos palcos do nosso Portugal… Onde querem Os Azeitonas ir depois?

AJ – Queremos conquistar o mundo, e depois a antena 3!! Queremos ganhar um prémio qualquer que nos seja entregue pela Sílvia Alberto.


VeRC – Obrigado ao Azeitonas por este bocadinho.. E pela generosidade e prontidão com que atenderam este pedido do Vidas em Rosa Choque para abrirem este novo projecto.

AJ – Ora essa, é sempre um gosto!




Os Azeitonas podem ser visitados em:

http://blog.osazeitonas.com/ e em http://www.myspace.com/osazeitonas

1 comentário:

Rui disse...

Muito boa entrevista! Bem conduzida, bem preparada, perguntas pertinentes e interessantes. Em meia dúzia de perguntas fica-se a conhecer muito d'Os Azeitonas.

Obrigado Hugo!

Gostei. Continua com este projecto, que eu continuarei a ler.