
Pouco mais de um mês, havia passado desde o desaparecimento de Gladys. Homero e Salvador continuavam, ainda que a polícia estivesse a trabalhar no assuntos, a procurar indícios do local por onde andava Gladys. Era sexta-feira, ambos tinham decidido não ir trabalhar. Uma da tarde, Salvador estava no duche e Homero sente a passagem do correio. Homero olha com ar perdido para o mar de papéis que de repente habitam a dourada caixa de correio, entre os quais se acham as habituais contas de água, electricidade, gás, internet, publicidades de supermercados que prometem ser baratos, cartas do banco com o extracto detalhado do mês transacto,… e um
misterioso envelope de papel reciclado onde se podia ler:
“G.
S. & H.”
Dentro uma chave, que Homero percebeu ser de casa de Gladys. Não consegui sair dali e foi ali que Salavdor o encontrou sentado no primeiro degrau interior ao gradeamento que ladeava a casa. Perceberam ambos que aquela chave não preconizava nenhum bom futuro.
De mão dada, levantaram-se entraram no carro, desceram a grande avenida e chegaram à casa de Gladys. Os estores estavam abertos, como até aqui tinham estado. Entraram, rodaram a chave na fechadura e encontraram uma casa de luz, não havia uma única lâmpada que não estivesse acesa. Na sala, porém, apesar da luz o ar era pesado, subiram a grande escadaria até ao quarto onde encontraram Gladys deitada sobre de vestido cerise a cama, branca, gélida… Só um papel a acompanhava. Eram essas as suas últimas palavras:
“S., H.,
Ao chegar ao fim da vida, o que se aprendeu? Nada, e tudo. Ou melhor, pouco e muito. E o que se aprendeu, será que é correcto? Talvez não o seja. Diante disto, o que é o conhecimento? Diante do que (não) se aprendeu, o que há para ser aprendido? E qual o papel da amor e da amizade nesta vida?
Que o amor prevaleça!
G.”