segunda-feira, 28 de maio de 2007

Desejos e Ensejos - Cap. I - Conversas

Gabriel decide escrever um ciclo de estória: “Desejos e Ensejos”. Prometi-lhe que publicava os textos dele! Espero que gostem.




“O dia hoje começou com chuva. Dormi nu – não que tenha um corpo bonito de admirar e louvar como aqueles que apresentam a colecção Verão 2007 de calções de banho do El Corte Inglés, mas apeteceu-me. Asneira: Estou constipado! Agora, enquanto escrevo o sol brilha e espero por aqueles dois. Não sei se vou almoçar em minha casa ou não. Estão chateados, a Diana e o Tiago. Estavam ontem e lá resolveram as quezílias deles. Aqui em casa. Ao que parece chatearam-se de novo em casa dela. Eu não acho normal. Eu ter que almoçar fora ou não vai depender deles. Mas estou feliz – hoje vou tomar café à noite com o Diogo, a não ser que ele se tenha esquecido ou simplesmente se ele não quiser sair!



O Diogo é um amigo de longa data. Sim, um amigo cibernético (que palavra horrível!) mas um amigo. Não um amigo como os outros que podem ser escritos com A maiúsculo ou com todas as letras a grande e em bold! Decidi que era tempo de nos conhecermos e decidi convida-lo para um café. Acho que até que nos damos bem mas ainda não me decidi a esquecer Gonçalo e sei que só quando me sentir capaz de me segurar sozinho é que vou ser capaz de me contentar com amizade, nunca esquece-lo. Lição que aprendi com a (espécie) de relação que houve com a Sara: meses e meses e meses de soledade e mágoa.


Aproxima-se o momento em que o Diogo devia confirmar os planos para esta noite mas não me parece que vá… pelo menos o interesse não parece ser muito! Contenta-me saber que se não estiver com o Diogo tenho sempre o ensaio do Grupo de Teatro ou os planos com a Inês e o Pedro. Fui finalmente à costureira buscar as calças que lá estavam há duas ou três semanas por causa das bainhas embora soubesse que ainda não estavam prontas. Ia fazer pressão. Enquanto esperava o Gonçalo ligou-me e falamos um bocado, foi bom ouvir a voz dele de novo. Escusado será dizer que logo a seguir o Diogo se descartou com um compromisso de ultima hora.


Acabei por ir ao ensaio porque a Inês estava muito cansada e não quis sair e, também, íamos sair no dia a seguir. Muito bom, por sinal: os dotes culinários da Inês e o bolo da Su. Ah! Nesse dia tive também a grande conversa com o Gonçalo. Dissemos muita coisa, disse muita coisa, coisas que achei nunca ter força para te dizer. After all you are my friend! O problema.. o nosso problema, Gonçalo, é ficarmos por aqui e (aqui a culpa é bastante minha) conversar-mos muito sobre tudo e pouco sobre o que realmente deviamos.. Não sei... acho que sim... fala-me!”


segunda-feira, 21 de maio de 2007

não estava à espera de te ouvir



Oh... Decidis-te, Pappy, ligar-me na quinta-feira à noite. Eram 21h36min e não estava à espera de te ouvir... As noticias foram óptimas:
Vais-te casar.




Merda... O meu pai casa-se hoje... porque será que não fui convidado? Porque será que só soube quatro dias antes?



Achei, oh Deus meu, que era mais importante... Que merecia mais consideração por parte do meu pai... mas... olha... liguei a um amigo.. acabei por estar um tempo infinito ao telemóvel e de gastar o dinheiro que tinha acabado de por no telemóvel mas valeu a pena... no fundo.. Obrigado... Ajudas-me (e sim é "ajudas-me", no presente) em muito! Sei que sabes que sim...



Sei que sabes que sim e que para mim és o mundo.. (lá fora?)










terça-feira, 15 de maio de 2007

É isto que eu quero dizer-te...


Não.. Não desapareceste B. Muito pelo contrario.. Estás cada vez mais presente.. e se te queria dizer isto ["É isto que eu quero dizer-te..." - post anterior] é para te mostrar que consigo estar contigo - falar contigo e ouvir-te - e deixar de lado, esconder, o que sinto por ti...

que te quero, que te amo..



Foi isto que te respondi quando me perguntaste se achava que tinhas desaparecido... B. desculpa mas acho, e foi o que te disse depois, que esta é uma forma de não perder a nossa amizade.. Não a mais fácil para mim.. mas a mais prática (?) para ti


La Pared - Shakira (Porque diz muito!)


Eres como una predicción de las buenas
Eres como una dosis alta en las venas


Y el deseo gira en espiral
Porque mi amor por ti es total
Y es para siempre


Después de ti la pared
No me faltes nunca
Debajo el asfalto
Y mas abajo estaría yo

Después de ti la pared
No me faltes nunca
Debajo el asfalto
Y mas abajo estaría yo
Sin ti


Eres la enfermedad y el enfermero
Y ya me has convertido en tu perro faldero


Sabes que sin ti
Ya yo no soy
Sabes que a donde vayas voy
Naturalmente



Después de ti la pared
No me faltes nunca
Debajo el asfalto
Y mas abajo estaría yo
Después de ti la pared
No me faltes nunca
Debajo el asfalto
Y mas abajo estaría yo


Sin ti

quinta-feira, 10 de maio de 2007

te he perdido?


- te he perdido porque no estas... a veces te busco y no logro hallarte y miro entre las líneas pero no te encuentro... no te encuentro B.


- que paso??? - dices


- no se...simplemente desapareciste... así.... de repente, como si te hubiera olvidado..pero no!!! te recuerdo y te extraño...será que cambie y no te gusta...o quizás en mis mierdas te descuidé y te escapaste... Dime!?!
















Não me perguntem, antes me perdoem, o porquê do texto em espanhol mas li algo parecido e disse: "É isto que eu quero dizer-te..."




sexta-feira, 4 de maio de 2007

és Tu, seja lá quem esse for

Sai cedo de casa para ir ver o cortejo. Achei que espairecer, apanhar ar me faria bem.. Achei uma maneira simples de não pensar em ti e pensar no modo como - agora - vejo a vida, o amor... Uma conversa para depois, se ainda não estiveres cansado de me ouvir.


Passeava por volta das 21:30 pelo fórum, tencionava tomar um café e ver algumas caras conhecidas. Tomei o dito café (lembrem-me de reclamar da próxima vez que me trouxerem TANTO café), com o meu habitual copo com (de?) água, passei-me um pouco pelas lojas e vi algumas caras conhecidas: a Mafalda, a moça da Bertrand que nunca soube o nome, a minha tia, e mais umas caras simpáticas de pessoas-antipáticas-que-faziam-de-conta-que-não-me-conheciam. Será por acharem o que tu sabes?

Bem não interessa. Andei por ali uma horita. Um andar triste de alguém que se sentia sozinho, de quem (de certo estupidamente errado) pensava que se comigo estivesses tudo seria diferente. As pessoas-antipáticas-que-faziam-de-conta-que-não-me-conheciam teriam sido ignoradas, e, mais importante, o triste (e cínico?!) "olá tudo bem?" sairia com um sorriso.

Merda. (Desculpem) Seria um sorriso. Naquele momento eu não andaria solitário. Mas seria o mesmo assim que me despedisse de ti... Ficava de novo com uma sensação de vazio, um bocado de mim deixava de estar, de novo, ali. Isto faz-me pensar que sei que vai ser sempre assim, pelo menos até eu sentir que a nossa amizade é suficientemente sólida, B., para eu me puder afastar e esquecer-te. Não, não te quero esquecer. Quero muito mais que isso: Quero-te para sempre. Mas... e apesar do "Nunca digas nunca" ou do "Desta água não beberei" acho que posso dizer que pelo menos num futuro próximo nada mais iremos ser do que bons amigos. Para mim (pelo menos): os melhores!



Desculpa se não devia falar de ti, desculpa se devia guardar isto para mim ou mesmo para uma nossa conversa, mas, aqui, publicamente, é o único sitio onde através de um romance, uma novela ou mesmo de um conto, posso ser eu ou inventar alguém para ser. Quem é este que vos escreve? Eu, um qualquer personagem de um livro do Frederico Lourenço ou do David Leavitt, ou um qualquer desabafo de um amigo?


Não sei... mas o destinatário, és Tu, seja lá quem esse for.




In any other world
You could tell the difference
And let it all unfurl
Into broken remenance

Smile like you mean it
And let youreself let go

Cos its all in the hands
Of a bitter bitter of man

Say goodbye to the world
You thought you lived in
Take a bow
Play the part
Of a lonely lonely heart
Say goodbye to the world
You thought you lived in
To the world you thought you lived in

I try to live alone
But lonely is so lonely
So human as I am
I had to give up my defences

So I smile and try to mean it
To make myself let go

Cos it's all in the hands
Of a bitter bitter man

Say goodbye to the world
You thought you lived in
Take a bow
Play the part
Of a lonely lonely heart
Say goodbye to the world
You thought you lived in
To the world you thought you lived in

Cos it's all in the hands
Of a bitter bitter man

Say goodbye to world
You thought you lived in
Take a bow
Play the part
Of a lonely lonely heart
Say goodbye
to the world you thought you lived in
to the world you thought you lived in
Say goodbye to the world you thought you lived in
Say goodbye to the world you thought you lived in
Say goodbye to the world you thought you lived in

In any other world
you could tell the difference [Mika - any other world]

sábado, 28 de abril de 2007

através de ti espero

Pela primeira vez vou postar sem pensar no texto, sem o rever atentamente, sei que a pessoa a quem se dirige o post não o vai ler. Pelo menos não hei-de ser eu a dizer-lhe para cá vir ler. (Não vou escrever para ti, B. Dou-te descanso desta vez!)


Disseste, - e desculpa a ousadia de tratar-te por tu - Rui, que:


"O Deus em que acreditamos, em quem pomos a nossa confiança, é um Deus de Vida! Por vezes olhamos para a nossa própria existência e sucumbimos perante uma floresta de dúvidas, incertezas, problemas ou simplesmente questões que nos tiram a tranquilidade. Alturas há, em que isto nos leva a pensar sobre nós mesmos ou sobre os outros ou sobre as estruturas que nos envolvem e que, parece, todos os dias nos imputam novas missões ou obrigações. Noutras ocasiões, simplesmente não pensamos, ou porque é difícil, ou simplesmente porque não há tempo… Então começamos a deixar de viver, passamos a sobreviver…"

Hoje, preparei-me para te falar de mim, para falar de mim ao Padre Rui, mas não deu. Estamos destinados a não conseguir falar à primeira vez e a adiar conversas. Conversas como a que íamos ter hoje, uma conversa que espero que através de ti espero que chegue a Deus. Não te ia contar grandes novidades, não te ia revelar aquilo que acho que me define como pessoa e que me faz confusão como pessoa cristã.


Queres ouvir-me, Barnabé?






















domingo, 15 de abril de 2007

Dois sabores diferentes,...

Quando um mesmo capítulo tem duas histórias o escritor fala das duas como uma só. Pensa que pode enganar o mundo e achar que pode ver somente aquilo que deseja. Caríssimos, lamento informar-vos mas, o escritor pode fazê-lo. Já eu, na minha simplicidade de ser simples e complexo, nada mais posso fazer que mostrar-te o lado que queres ver. Consigo separar as duas histórias mas não deixar de vivê-las.



Uma é a história de um poeta capaz de interpretar o Camões prometido e dizer que “ditoso seja” eu por te amar. Um poeta de amores.




Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.


Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda mais que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.


Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.


Mas triste de quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.

Luís de Camões



Outra é a história do teu amigo, B., que é capaz bater e pé e…



Acabaste por não vir almoçar comigo. Chegaste tinha eu acabado o sumo natural de laranja e ananás. Uma mistura agradável mas diferente. Dois sabores diferentes, como nós. Tu introvertido muito calado e eu, por outro lado, sempre pronto a proclamar problemas, novidades e fúteis assuntos.


Hoje vou a tua vez… a dos dois… Falámos, desabafámos, digerimos alguns assuntos e conseguimos perceber que afinal o que faltava em mim era simplesmente encostar-te à e dizer “Merda, B., se não confiar-mos um no outro ao ponto de separar-mos o ‘eu amigo’ do ‘eu apaixonado’ não nos vamos entender como amigos nem passar esta fase de eu não falo contigo sobre isto ou aquilo porque te amo e tu não falas comigo sobre isto ou aquilo porque te amo.


Conseguimos ultrapassar essa fase mutuamente e chegar-mos à conclusão que podemos ser bons amigos embora seja para qualquer um de nós difícil de esquecer o que sinto por ti.







E também foi um bom passeio. Tivemos ali daquele lado. Bem giros os cães.





Adeus “nevoeiro”. A cor de hoje foi o vermelho. Afinal tu escolheste a cor. À tarde – Vermelho Lion of Porches! À noite – Vermelho Gant! Vermelho…








Obrigado...

=)