quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Eis-me a mim, Narciso.

Narciso era um belo rapaz que todos os dias ia contemplar a sua própria beleza num lago. Estava tão fascinado por si mesmo que certo dia caiu dentro do lago e morreu afogado. No lugar onde caiu, nasceu uma flor, que chamaram de narciso.

Quando Narciso morreu, vieram as Oréiades – deusas do bosque – e viram o lago transformado de um lago de água doce, num cântaro de lágrimas salgadas.

- Porque choras? -– perguntaram as Oréiades.

- Choro por Narciso. - –disse o lago.

- Ah, não nos espanta que chores por Narciso. - Continuaram elas. –- Afinal de contas, apesar de todas nós sempre corrermos atrás dele pelo bosque, tu eras o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto a sua beleza.

- Mas Narciso era belo? -– perguntou o lago.

- Quem mais do que tu poderia saber disso? - – responderam, surpresas, as Oréiades. - Afinal de contas, era nas tuas margens que ele se debruçava todos os dias!




O lago ficou algum tempo silencioso. Por fim disse:

- Eu choro por Narciso, mas nunca tinha percebido que Narciso era belo.
Choro por Narciso, porque todas as vezes que ele se debruçava sobre as minhas margens eu podia ver, no fundo dos seus olhos, a minha própria beleza reflectida.”


Texto retirado do livro "O Alquimista" de Paulo Coelho

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

LEAVE BRIT ALONE!! hehe

Tinha que partilhar isto convosco. São poucas as vezes em que rio tanto com um vídeo do YouTube. Vejam!


quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Meu Inverno, com trovoada e previsão de suicidio, de São Martinho

(Texto escrito a 10 de Novembro, às 21h46. O que nele estiver relatado diz respeito, única e exclusivamente a esse momento.)





Oh Yemanjá, que minhas lágrimas hoje aparaste em Tuas águas, diz-me como podem tanto desiludir-nos as pessoas que achas (mais-ou-menos??) integras. Como podemos olhar para alguém e gostar só por ser Alguém.





Sim… Eu sei que, apesar dos meus 19 anos e 361 dias, continuo a sentir-me sozinho. Não me bastam os amigos, e eles que me perdoem, mas preciso de algo mais. Preciso de alguém com que dividir tristezas e alegrias, choros e sorrisos. Alguém com quem dividir a minha vida. Com quem me dividir.


Preciso de…


Oh.. Já nem sei se sei o que preciso, o que quero, o que gostaria de precisar e de querer.


Ali, à janela, canta-se, dança-se, comem-se castanhas.. não se sente a minha falta. Lá fora faz frio mas, apesar disso, na praia senti-me bem: apanhei ar, respirei fundo e vim capar de não lhe responder mal… Amanhã vai doer-me como à muito não doía. Estou sem voz. Não vou ler, não vou sequer cantar. Oh… Também não me apetece tocar.. Estou mesmo stressado, triste e desiludido com muitas coisas.




Dizia uma letra de uma música brasileira que por ai encontrei (a letra, porque a música nunca a ouvi…)


Eles são assim, por Natureza
Vivem dominados pela sua vaidade
Correm impulsados por suas ânsias de ganhar e nada mais
Põem o cérebro, nunca o coração, fodem como corvos ao teu redor
E ao sexo chamam amor

Eles são assim desde a Pré-história
Seguem os caprichos da sua vontade
Quando têm tudo, sempre querem muito mais
É o normal

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

pizza sem pão???



- Desculpa.. Não vou conseguir chegar a casa a tempo do jantar. Tenho reunião extraordinária com o Gabinete de Marketing e Publicidade e com o Gabinete de Criatividade - Devias estar cá, se não estivesses em recobro . Não pude mesmo adiar. Desculpa amor.. Estás melhor? Eu prometo que despacho isto rápido.

Respiro fundo antes de ser capaz de te responder:
- Não faz mal. O Eng. Ricardo tem as propostas que preparei, espero que ele não deixe aquilo passar ao lado da administração. Tu como Presidente livra-te de ignorares os meus projectos. Eu já tos mostrei por isso sei que não há problema. – Para um segundo, o pós-operatório é tramado – Não te preocupes comigo que estou bem… Cansado, ainda me custa respirar mas estou bem…
- Ainda bem. Comeste em condições hoje? Já é a tua terceira refeição normal e não me parecer que andes a comer grande coisa. Vou encomendar uma pizza para ti hoje. E não te queixes.
- Mas amor..
- Nem mas nem meio mas… Sei que gostas de pizza e que te vai fazer bem comer alguma coisa que se aproveite.
- E pizza é comer que se aproveite, claro… Mas está bem.. Encomendas por mim? Não me apetece ir procurar os flyers.
- Claro que sim.. Eu ligo. E já te mando mensagem a dizer-te o preço – Tens dinheiro na carteira?
- Tenho sim! És um anjo. Amo-te
- Oh.. Também te amo muito. Beijo

E desligaste. Fico a dever-te um beijo.








“Palla Pizza, uma pizza do mar...” Foi o que ouvi do outro lado do vídeo-porteiro quando a campainha tocou.
E a verdade é que paguei dez euros por uma pizza e a pizza era uma grande porcaria. Vinha toda fora do pão, os camarões vinham mal cozidos e os pimentos era umas tiras mal cortadas, finíssimas e eram quase só “pele”. Resumidamente só comi tudo por tua causa.

Obrigado.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Perdi-me na conversa.. queria dizer-te que já não te amo mas quando chega à altura de o fazer esqueço-me do que ia dizer. "Olha, sabes,... Oh.. Não sei o que ia dizer-te, passou-me... Hei-de lembrar-me depois."

E lembro, lembro-me assim que me aconchego na almofada. Lembro do que sinto. Do que me fazes feliz e do que me dóis. Lembro-me que não te quero deixar e lembro-me que também não te posso ter ao lado meu. Aqui, comigo...

Lembro-me das lágrimas que chorei por estar longe mesmo quando dividíamos o mesmo espaço, lembro das lágrimas que caíram por já não te querer como queria, lembro-me das lágrimas escondidas por te ter que esquecer.

Lembro-me de ti...








segunda-feira, 15 de outubro de 2007

um sítio chamado nosso

(peço, desde já desculpa por possíveis erros mas não reli o texto. A culpa é do Nuno!)



A tua mãe ligou-me para ir mos jantar lá a casa. E íamos. Tu depois de saíres da loja, eu depois da reunião com os espanhóis. Ias chegar bem antes de mim porque o teu turno acabava às seis da tarde.





Quando chegou à casa amarela da Rua do Carmo lá estava a tua mãe de volta da cozinha. Foi o teu irmão que me veio abrir a porta e fugiu de novo a correr. Estive um pouco com a tua mãe na cozinha, sempre simpática – foi a ela que foste buscar a simpatia. Depois daquele bom bocado de conversa fui até ao quarto do teu irmão. Nada. Subi até ao teu antigo quarto – estava sempre tudo na mesma: O edredon azul, a escrivaninha aberta com as tuas coisas sempre dispostas na mesma posição. – mas também não estavas lá, mas agora ouvia-se o barulho de duas crianças divertidíssimas com a bola que no chão batia. Abri a janela e espreitei para o pátio. Lá estava o Tiago a correr atrás de ti que levavas a bola de basket até ao cesto onde, para o fazeres feliz, acabavas por deixar que te apanhasse e fugisse com a bola para o outro lado. Ele, com os seus 12 anos a correr com o maior dos sorrisos a iluminar-lhe a fronte. Tu, com os teus divertidos 23 anos a fazê-lo matar as saudades da pessoa que até então sempre tinha um bocadinho para ele, para dar uns pulos e umas corridas com ele. Depois vim eu e conquistei-te, levei-te para um sítio chamado nosso.

Foi quando caíram os dois, tu e o teu irmão, que finalmente me viste cá em cima, na janela do teu quarto, nos meus últimos segundos: A tua mãe está a chamar para jantar. Frango assado no forno.


sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Suddenly I see..

Once upon a time…


É assim que começam os grandes contos de fadas, aqueles que dão origem aos filmes que tanto gostamos de ver. Fomos ao cinema, esperamos pelo lançamento em DVD, alugamos e ainda vimos no TVI ou na SIC algumas cento e vinte vezes. Foi mais ou menos o que aconteceu com o filme da Maryl Streep – Devil wears Prada.






É nestes contos de fadas, ou neste sonhos, que nos tornamos no que queremos. Temos esse poder. The power to be. Sabemos com que contar, sabemos quem temos ao nosso lado. Nestes sonhos de “once upon a time” há o protagonista e o príncipe encantado. Já na vida real, na minha pelo menos, não há nem um “Prince Charming” como o do Shrek, quanto mais o príncipe que me levará ao palácio e casa comigo e vivemos “happly ever after”. Sou assim eu… Vou estando sozinho.. mas vou sendo feliz. A Cinderela também devia ser feliz, mesmo a limpar o chão e a fazer tudo o que as irmãs queriam.




Mas houve também um dia para a Cinderela. E mais importante que o príncipe (não tinha nome o pobre coitado?), foram os amigos... “Nós faremos, nós faremos um vestido para ela, a nossa Cinderela… lalalala”






Hoje fica aqui o meu muito obrigado aos amigos. Os que me ligam depois das mensagens estúpidas. Os que me atendem as chamadas. Os que comigo trocam mensagens. Os que me levam às compras. Os que me dão boleia. Os que no silêncio rezam e olham por mim. A todos vocês um grande obrigado.






The power to be
The power to give
To power to see.. yeah yeah…

Suddenly I see
This is wath I wanna be
Suddenly I see
Why the hell it means so much to me?